Toca do Baiacu

nota 3.5 de 5 em 3 opiniões
| Rank: 498º de 707 | Bares e Botecos


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Primeira opinião do lugar

A rua do Ouvidor, quem diria, nasceu Desvio do Mar pela necessidade de contato dos colonos da praia de Nossa Senhora do Ó com a Rua Direita, hoje Primeiro de Março.

No final deste post vc pode conhecer um pouco mais da história desta rua que já foi considerada a mais passeada e concorrida, e mais leviana, indiscreta, bisbilhoteira, esbanjadora, fútil, noveleira, poliglota e enciclopédica de todas as ruas da cidade do Rio de Janeiro.

O fato é que viemos atrás da feijoada Marítima, servida diariamente na Toca do Baiacu. A denominação entrega seu diferencial por ser um cozido de feijões brancos com frutos do mar com produtos sempre muito frescos devido à proximidade do mercado de peixes.

A porção para 1 pessoa é generosa na medida para dois pratos feitos. Se tem algo que evito é repetir o prato de feijoada pois assim fico desperto e disposto para continuar a jornada. Juro que cheguei a duvidar desta referência. Quase caí na tentação de pedir repeteco e só resisti porque havia agendado um roteiro à pé nos arredores.

Minha boca saliva até hoje... mexilhões, polvo, lula, peixe, camarão, siri, vongole envoltos num belo molho de feijões colorem o prato que acompanha arroz branco e farofa clarinha.

O proprietário Marco Targino sabe o valor que tem, suas mesas ficam espalhadas pela extensão da rua servindo comensais em busca de suas delícias. Não é a primeira vez que vejo passar uma belíssima costela que ainda pretendo degustar. Neste dia, feijão só no caldinho.

"O Desvio teve por primeiros moradores gente pobre, no trabalho, porém ativa; peões que exerciam misteres, operários, e um cirurgião que era barbeiro dos nobres."

Seria Cesar Fraga, atual barbeiro da rua, o herdeiro legítimo de Aleixo Manoel ? A depender de sua nobre freguesia não restam dúvidas. Sua barbearia é bem conhecida pela belíssima coleção dos legítimos Panamá que ali são vendidos.

Se durante toda a tarde vc pode se deliciar na Toca com a roda de samba do vizinho Antigamente, na chegada da noitinha o Cesar promove em frente à barbearia uma seleção musical impecável que varia de Zeca Pagodinho a Lisa Stanfield, dependendo da sua inspiração.

Programinha para repetir sempre !

Memórias da Rua do Ouvidor por Joaquim Manuel de Macedo

Sabem todos que a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, fundada por Mem de Sá em 1567, teve o seu assento sobre o monte de São Januário (depois chamado de Castelo); mas, perdido o receio de ataques inopinados dos Tamoios, começaram, logo, os colonos a descer do monte e a estabelecer-se na planície.

Primeiramente levantaram à beira do mar casas e choupanas com uma só linha, formando o que alguns anos mais tarde recebeu o nome de Rua da Misericórdia; em seguida foram adiantando suas rudes construções pela praia de Nossa Senhora do Ó, que a mudar de denominação se foi chamando Lugar do Ferreiro da Polé, Praça do Carmo, Terreiro do Paço, Largo do Paço, e enfim Praça D. Pedro II.

Da praia de Nossa Senhora do Ó (onde logo depois de 1567 um devoto erguera pequena capela com essa santa invocação) as casas e palhoças continuaram a levantar-se mais ou menos separadas uma das outras e ainda á beira do mar, e também em uma só linha, que muito em breve formaram a primitiva Rua Direita que é desde 1870 Rua Primeiro de Março.

Mas em ano que correu entre o de 1568 e o de 1572 alguns colonos abriram à pouca distância do começo da rua que se denominou Direita uma entrada em ângulo reto com ela, e cada qual foi improvisando grosseiro ubi para si e para sua família aos lados dessa aberta feita sobre areias e por entre mesquinha vegetação denunciadora de antigo domínio do mar.

E, curiosa, interessante, notável, notabilíssima idéia ou inspiração daqueles colonos portugueses tão bisonhos e tão sem malícia!... como aquela aberta ainda não era rua, e eles precisavam designá-la por algum nome, chamaram-na Desvio do Mar. Desvio!...

Eis o berço da bonita, vaidosa e pimpona atual Rua do Ouvidor! Fica, pois, historiado que ela nasceu de um desvio, e desvio da Rua Direita, ou do caminho direito, o que, a falar a verdade, não era de bom agouro.

Joaquim Manuel de Macedo, jornalista, professor, romancista, poeta, teatrólogo e memorialista, nasceu em Itaboraí, RJ, em 24/06/1820, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 11/04/1882. É o patrono da Cadeira n. 20 da Academia Brasileira de Letras.
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Voltei à Toca para provar a costela no bafo levando dois colegas do trabalho para dividir o almoço. 1 é pouco, 2 também, 3 é perfeito. Uma belíssima peça chegou à mesa acompanhada de batatas portuguesas, arroz branco, farofa e feijão preto, suficientes para 3 pessoas. Cerveja estupidamente gelada para acompanhar a bela refeição. Vale notar que estive uma outra vez na Toca levando 9 amigos para provar a dita Costela. Nesta ocasião cheguei antes e a minha costela veio com muita gordura e pouquíssima carne. O proprietário não quis cobrar mas eu já havia pago. Hoje o pequeno botequim fez jus à fama reconhecida.
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Excelente opção para o almoço de sábado!!! Os pratos são de dar água na boca... A escolha do almoço foi à feijoada marítima, que estava impecável... Além de tudo o ambiente no entorno é bem agradável e você pode aproveitar a música do vizinho. Programa que pede bis!!!
Primeira opinião do lugar

A rua do Ouvidor, quem diria, nasceu Desvio do Mar pela necessidade de contato dos colonos da praia de Nossa Senhora do Ó com a Rua Direita, hoje Primeiro de Março.

No final deste post vc pode conhecer um pouco mais da história desta rua que já foi considerada a mais passeada e concorrida, e mais leviana, indiscreta, bisbilhoteira, esbanjadora, fútil, noveleira, poliglota e enciclopédica de todas as ruas da cidade do Rio de Janeiro.

O fato é que viemos atrás da feijoada Marítima, servida diariamente na Toca do Baiacu. A denominação entrega seu diferencial por ser um cozido de feijões brancos com frutos do mar com produtos sempre muito frescos devido à proximidade do mercado de peixes.

A porção para 1 pessoa é generosa na medida para dois pratos feitos. Se tem algo que evito é repetir o prato de feijoada pois assim fico desperto e disposto para continuar a jornada. Juro que cheguei a duvidar desta referência. Quase caí na tentação de pedir repeteco e só resisti porque havia agendado um roteiro à pé nos arredores.

Minha boca saliva até hoje... mexilhões, polvo, lula, peixe, camarão, siri, vongole envoltos num belo molho de feijões colorem o prato que acompanha arroz branco e farofa clarinha.

O proprietário Marco Targino sabe o valor que tem, suas mesas ficam espalhadas pela extensão da rua servindo comensais em busca de suas delícias. Não é a primeira vez que vejo passar uma belíssima costela que ainda pretendo degustar. Neste dia, feijão só no caldinho.

"O Desvio teve por primeiros moradores gente pobre, no trabalho, porém ativa; peões que exerciam misteres, operários, e um cirurgião que era barbeiro dos nobres."

Seria Cesar Fraga, atual barbeiro da rua, o herdeiro legítimo de Aleixo Manoel ? A depender de sua nobre freguesia não restam dúvidas. Sua barbearia é bem conhecida pela belíssima coleção dos legítimos Panamá que ali são vendidos.

Se durante toda a tarde vc pode se deliciar na Toca com a roda de samba do vizinho Antigamente, na chegada da noitinha o Cesar promove em frente à barbearia uma seleção musical impecável que varia de Zeca Pagodinho a Lisa Stanfield, dependendo da sua inspiração.

Programinha para repetir sempre !

Memórias da Rua do Ouvidor por Joaquim Manuel de Macedo

Sabem todos que a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, fundada por Mem de Sá em 1567, teve o seu assento sobre o monte de São Januário (depois chamado de Castelo); mas, perdido o receio de ataques inopinados dos Tamoios, começaram, logo, os colonos a descer do monte e a estabelecer-se na planície.

Primeiramente levantaram à beira do mar casas e choupanas com uma só linha, formando o que alguns anos mais tarde recebeu o nome de Rua da Misericórdia; em seguida foram adiantando suas rudes construções pela praia de Nossa Senhora do Ó, que a mudar de denominação se foi chamando Lugar do Ferreiro da Polé, Praça do Carmo, Terreiro do Paço, Largo do Paço, e enfim Praça D. Pedro II.

Da praia de Nossa Senhora do Ó (onde logo depois de 1567 um devoto erguera pequena capela com essa santa invocação) as casas e palhoças continuaram a levantar-se mais ou menos separadas uma das outras e ainda á beira do mar, e também em uma só linha, que muito em breve formaram a primitiva Rua Direita que é desde 1870 Rua Primeiro de Março.

Mas em ano que correu entre o de 1568 e o de 1572 alguns colonos abriram à pouca distância do começo da rua que se denominou Direita uma entrada em ângulo reto com ela, e cada qual foi improvisando grosseiro ubi para si e para sua família aos lados dessa aberta feita sobre areias e por entre mesquinha vegetação denunciadora de antigo domínio do mar.

E, curiosa, interessante, notável, notabilíssima idéia ou inspiração daqueles colonos portugueses tão bisonhos e tão sem malícia!... como aquela aberta ainda não era rua, e eles precisavam designá-la por algum nome, chamaram-na Desvio do Mar. Desvio!...

Eis o berço da bonita, vaidosa e pimpona atual Rua do Ouvidor! Fica, pois, historiado que ela nasceu de um desvio, e desvio da Rua Direita, ou do caminho direito, o que, a falar a verdade, não era de bom agouro.

Joaquim Manuel de Macedo, jornalista, professor, romancista, poeta, teatrólogo e memorialista, nasceu em Itaboraí, RJ, em 24/06/1820, e faleceu no Rio de Janeiro, RJ, em 11/04/1882. É o patrono da Cadeira n. 20 da Academia Brasileira de Letras.
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